Arvore preciosa

 

Viviam os homens em permanentes conflitos,
     acompanhados de miséria, perturbação e sofrimento,
      quando o Pai compadecido lhes enviou um mensageiro,
portador de sublimes sementes da
Árvore da Felicidade e da Paz.
  Desceu o anjo com o régio  presente e, congregando
   os homens  para a entrega festiva, explicou-lhes que
  o vegetal glorioso produziria flores e luz e  frutos de
ouro,  no futuro, apagando todas as dissensões,
     mas reclamava cuidados especiais para fortalecer-se.
    Em germinando, era imprescindível a colaboração
  de todos, nos cuidados excepcionais do amor
e da vigilância.
   As sementes requeriam terra conveniente, aperfeiçoado
    sistema de irrigação, determinada classe de adubo,
proteção incessante contra insetos daninhos e
  providências  diversas, nos tempos laboriosos do início;
a planta, contudo, era tão preciosa em si mesma
 que bastaria  um exemplar vitorioso para que a paz
  e a felicidade  se derramassem, benditas, sobre a
comunidade em geral.
Seus ramos abrigariam a todos, seu perfume envolveria
a Terra em branda harmonia e seus frutos, usados
 pelas criaturas, garantiriam o bem-estar do
mundo inteiro.
Finda a promessa e depois de confiadas ao povo
as sementes milagrosas, cada circunstante se
retirou para o domicilio próprio, sonhando possuir,
egoísticamente, a árvore das flores de luz e dos
 frutos de ouro.
 Cada qual pretendia  a preciosidade para si,
 em caráter  de  exclusividade.
Para isso cerraram-se, apaixonadamente, nas terras
que dominavam, experimentando a sementeira e
suspirando pela posse pessoal e absoluta de
semelhante  tesouro, simplesmente por vaidade
 do coração.
A árvore, todavia, a fim de viver, reclamava concurso
fraterno total, e os atritos ruinosos continuaram.
 As sementes, pela natureza divina, que as
caracterizava, não se perderam; entretanto, se
alguns cultivadores possuíam água, não possuíam
adubo e os que retinham o adubo  não dispunham 
de água farta.
Quem detinha recursos para defender-se contra os
vermes, não encontrava acesso à gleba conveniente
 e quem se havia apoderado do melhor solo não
contava com possibilidades de vigilância.
  E tanto os senhores provisórios da água e do adubo,
da terra e dos elementos defensivos, quanto os
 demais candidatos à posse da riqueza celeste,
passaram a lutar, em desequilibrio pleno,
exterminando-se  reciprocamente.
   Este é o simbolo da guerra improfícua dos homens
em derredor da felicidade.
Os talentos do Pai foram concedidos aos filhos,
indistintamente, para que aprendam a desfrutar os
dons  eternos,  com entendimento e harmonia.
Uns possuem a inteligência, outros a reflexão; uns
guardam  o ouro da terra, outros o conhecimento 
sublime; alguns retêm  a autoridade, outros a
experiência; todavia, cada um  procura vencer
 sózinho, não para disseminar o bem com todos,
através do heroísmo na virtude, mas para
humilhar os que  seguem à retaguarda.
Quando a verdadeira união se fizer expontânea,
entre todos os homens no caminho redentor do
trabalho santificante do bem  natural, então
o reino do Céu resplandecerá na Terra, à maneira 
da árvore divina das flores de luz e
dos frutos de ouro.
 

Francisco C. Xavier

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