Meu Pai
Dedos
ágeis esses teus, meu Pai.
Trazem sons que lembram cores
em manhãs de flor e sol, às vezes.
Trazem
sons, em outras vezes,
para lembrar dores de amores.
É sempre bom te ouvir, meu Pai,
quando tocas, quando falas.
Esse
falar tão pouco, esse quase
não dizer porque é preciso
nos deixar à vontade
para o acerto e os erros.
Nos
erros, tens para nós os ombros,
sempre confortáveis,
e outras poucas palavras
para o reconforto; nos acertos,
o riso indisfarçável
do orgulho que engrandece,
da humildade quase beatificante.
Andam
ágeis os teus dedos
apesar dos anos todos.
Olha,
meu Pai, eu não preciso
um mero domingo em agosto
para te falar de coisas simples,
cristalinas e fáceis
(como este sempre envaidecer por ser teu
filho).
Toca outra valsa, meu Pai !
Luiz de Aquino
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